A profissão de treinador de futebol  tornou-se numa das mais instáveis e imprevisíveis no mundo actual.
Em Portugal bateu no fundo este ano.

A ditadura dos resultados e o poder de quem tem o dinheiro sobrepõe-se claramente à qualidade dos treinadores e ao principio da continuidade que exige tempo e paciência.

Falemos apenas da I Liga.
Um chocante exemplo de chicotadas atrás de chicotadas, um triste recorde promovido por presidentes ansiosos, diretores desportivos mal preparados e agentes sempre ávidos de mudanças e negócios.
Parece que estamos perante um futebol milionário onde pagar indemnizações não é um problema.

Dos 18 clubes da I Liga, apenas cinco não trocaram de treinador: Benfica, Sporting, Porto, Vitória de Guimarães e Vitória de Setúbal. Heróis.

Algumas equipas até tiveram três treinadores esta época.

Quem são os responsáveis dos resultados das equipas?
Os treinadores que muitas vezes não escolhem os jogadores?
Ou as estruturas que quase sempre são comandadas de fora para dentro?
Quais os critérios das escolhas iniciais dos treinadores?
E qual o critério das escolhas dos treinadores para substituir os iniciais?
Ninguém sabe.

Também o Sindicato de Treinadores tem uma quota de responsabilidade neste caos em que se tornou o futebol profissional com tendência para piorar. Aceitar que um treinador possa treinar mais de uma equipa por época ajuda a fomentar esta pressa de mudança. Um treinador despedido deveria ser indemnizado sobre a totalidade dos salários e não voltar a treinar nessa temporada.

Haveria mais critério na escolha inicial e menos tentação de trocar de treinador. (Deveria ser interdito que um treinador que esteja a treinar um clube seja aliciado para outro projeto mesmo que haja uma compensação para essa saída).

Assim, o “incompetente” que é despedido por maus resultados, volta a ser “competente” pouco tempo depois, repescado por um clube que lhe vê as qualidades necessárias para melhorar a sua classificação. Mesmo que tenha deixado a sua equipa nos últimos lugares e muitas vezes ferida de morte na luta pela descida.

E os inúmeros treinadores desempregados, que pagam cursos atrás de cursos porque são obrigados a adquirirem créditos que lhes permitam ter acesso ao emprego, veem essa porta dificilmente ser aberta porque é preferível um ciclo vicioso em vez de um ciclo virtuoso.

E como será esta época?